
Final...
Eu sei que bem não
fora em nossa vida
Tanto amor me devorando
o peito...
Não caberíamos
no mesmo leito
Eu e meus sonhos,
tu, visão querida!
Tão desiguais
o meu e o teu conceito
Sobre mundo de alma
emurchecida!...
Tu, esmagando flores,
já vencida;
Eu a sonhas de mais!
Não tinha jeito!
Foi bem melhor.. A
ti mais resta.
Mesmo sorriso a tua
boca empresta
Ao rosto angelical
que tanto amei!
A mim... saudade louca,
desalmada,
Triste futuro que
não vale nada;
Escombro da ventura
que sonhei!
Ao me lembrar de sua
pessoa, homem,
Você nem imagina
o contentamento,
Masculino e másculo
que me abraça,
Que me sacode e me
torna poetisa....
Hoje, toda sorridente,
Alegria imensa:
O meu coração
em suas mãos, homem,
Em sua vida, sutilmente,
Nem percebo, nem você
não percebe,
E quando chegam as
madrugadas,
Você me levanta
para o renascer da vida....
Neste instante, a criação
se recria,
Minha vida se renova,
E você, homem,
me ressuscita
Com suas mãos,
seu pensar, seu corpo,
Seus segredos indescritíveis...
E de repente, eu me
descubro:
Sou mulher, formidavelmente,
mulher,
A segurar suas mãos,
homem,
Para sempre, e sempre.....
Não posso compreender
porque motivo
Eu me extasio frente
aos olhos teus.
Talvez aquele teu
olhar altivo
Com que tu fitas o
azul dos céus.
E como é diferente
o olhar esquivo
Com que fitas os pobres
olhos meus...
Ah! quem me dera ser
o próprio Deus
Para ser dono desse
fogo vivo!
Olhas com fé
para esse azul distante.
E eu fico assim pensando:
num instante
Ser Deus, se for possível
tal sonhar,
Para somente então
eu ser feliz,
Ouvindo o que tua
boca nunca diz,
Olhando apenas para
o teu olhar!
Cantar quisesse uma
alegria louca
A dominar inteiro
o coração!
Uma saudade amenizada,
pouca,
O inferno de esperar
consolação;
Alguma voz desespera
e rouca,
A mão que espera
enfim por outra mão,
O amor intenso que
em um peito espouca
E em mil clarões
transforma um só clarão;
Toda a doçura
de sofrer num beijo
A angústia
indescritível do desejo,
Um rir às vezes
sem saber porque;
Alguém que sorve
um cálice de dor:
Eu cantaria a minha
história, amor,
O amor que sinto que
sinto imenso por você!
Um dia me disseste,
o céu fitando:
“tenho uma estrela
a proteger-me a vida.
se sinto uma tristeza
mais dorida
a ela eu me dirijo
soluçando.”
“E quantas vezes o
busquei chorando,
sentindo a ala em
aflições perdida,
e ele, me sorrindo
comovido,
fez meu riso brotar,
alegre e brando.”
Olhavas para o céu,
um brilho intenso
dos olhos partido
para o imenso
espaço que
belezas mil encerra.
Eu, invejosa, desejei
que fosse,
para ganhar um teu
olhar tão doce,
aquela tua estrela
aqui da terra!
Quando, depois de finda
a noite escura,
O sol dos olhos teus
brilhar nos meus,
Eu te direi baixinho
aquela jura
Que apenas Deus conhece,
apenas Deus.
E brotará dos
lábios meus, impura,
Uma vontade de beijar
os teus...
Eu te direi, meu anjo,
que a amargura
Não haverá,
de um novo e triste adeus!
Eu falarei de tudo,
da saudade
Que me ficou de ti;
da minha vida
Imersa então
em doce suavidade
E exprimiremos tal
ventura os dois
Que o mundo nos dirá,
voz comovida:
“Deixe-vos sós!
Eu voltarei depois!”
Voltaste a me esquecer,
meu querido!
E vai a minha vida
caminhando
Em ramos de saudades
tropeçando
Pelos caminhos da
tristeza infinda.
E pobre de minha alma,
soluçando
Pelo mundo sozinha
vaga ainda...
Pensando com carinho
em tua vinda
A si mesma enganar
vai procurando!
Por que, se aquele
sonho de ventura
Sumiu-se na sombria
mágoa escura
Eu fui te amar, querido,
inda uma vez?
Porque pensava que
me desses (louca!)
O muito mais, quando
me davas pouco,
E em vez de sonhos,
teu amor talvez!
Repletos de romance
e poesia
Eu quisera escrever
versos de amor,
Descrever dos teus
braços o calor
E o muito que os ansiava,
dia a dia;
Falar dos sonho, que
com tanto ardor
Todinhos aos teus
pés eu deporia...
Tantos versos de amor
escreveria
Até formar
um livro multicor!
Infelizmente o meu
orgulho é tanto
Que o medo de amar-te
me domina
E nem sofrer eu sei
pensando em ti.
Pois tudo o que eu
amei sumiu-se, enquanto
Tudo que a outros
ora em ti fascina
Com outras, muitas
outras, eu senti...