O poema que eu fizPoemas
I
Teu nome é
um poema de doce harmonia
Com música
em letra que o mundo compôs,
Escrito com notas
de sonho e poesia
Na pauta que a vida
esquisita dispôs!
Tua voz é um
sussurro distante, sublime,
Que chega espalhando
perfume dos céus;
Parece uma prece de
anjo celeste
Rezando baixinho aos
ouvidos de Deus!
Teu rosto é
desenho que a mão caprichosa
De um anjo das tintas
há tempos formou;
Quis pô-lo num
quadro que DEUS esboçava
E um dia, enganado,
na terra o jogou!
Teu corpo é
uma flor que, extasiante e formoso,
No vasto jardim do
sublime viceja.
É parte de
um sonho de estranho conteúdo
Que uma pobre poetisa
em delírios deseja!
II
Quem dera que um dia
eu possuísse esse nome
E a voz e esse corpo
de suave calor!
Então, afinal,
eu diria aos teus lábios
O poema que eu fiz
a sonhar teu amor!
A boca tua é
um mar de delícias
Que se derrama dentro
da minha.
Sou mais feliz que
os ressuscitados
Saindo de teus lábios
em sorriso!
Amado, te mastigo enamorada,
Me mastigas sofregamente,
Somos famélicos
um do outro,
Luz a iluminar a multidão!
No fogão, as
panelas fervem,
E por trás,
em tuas costas,
Te abraço,
te beijo as orelhas,
Viras a face e me
sorris!
As frutas que me dás
carinhoso,
Porém calado,
e me olhando
Murmuras minha paixão,
E me perco em ti entregue.
Eu me sacio de ti,
perfumado
E encostada em teus
braços,
Tu me levantas com
mansidão
E me mordes com teus
lábios.
Eu te amo!
De repetir não
cansa a minha vida,
Entre aspas de amor
e de ternura,
Que representas toda
esse ventura
No mundo louco em
versos escondida.
És minha estrela,
a rosa preferida,
És o oceano
imenso de doçura
Onde mergulha suave
e pura,
Minha alma, que te
busca enternecida.
És minha luz,
meu céu, minha razão,
E outra coisa refletir
pudesses
Lugar teria no meu
coração!
És o ideal que
almejo noite e dia!
E mais do meu amor
saber quisesses
O pranto de meus olhos
te diria!!!
Meus dedos esperando
seus olhos
na busca insaciada
de carinho,
sente seus passos
apressados,
encostando-se lentamente
em mim!
Toca, toca lenta esta
música,
mais lenta que a meninice,
que a alegria de seu
coração
escondido em nós
dois...
Contemplando os desejos
do olhar,
esta ferocidade amorosa
do amor,
esta tarde, manhã
e noite,
longínquas
e tão perto, eternas...
Nosso amor agrega outros
amores,
e as lágrimas
que dele brotou,
lavam a face dos desvalidos
de amor e vida, de
amor e vida....
Há tantas coisas
na vida,
Há tantos sonhos
na mente!
E é triste
vê-los distantes
Despedindo-se em instantes
Quanto mais os quer
a gente...
Se acaso algum ser
existe
Vagando pelo mundo,
Talvez possa compreender
Que muita coisa a
se ver
Não vale pensar
profundo.
As lições
correm à frente
Dos olhos meus sonhadores.
Mas eu teimo... e
busco ainda
Encontrá-lo,
sempre lindo,
Nos meus sonhos tentadores.
É vão
enganar-se à toa
Quando se quer procurá-la:
Os sonhos fazem milagres,
E toda morrem nos
ares
Caindo em profunda
vala...
Buscar alguém,
esquisito,
É o que faço
há muitos anos;
Não sei porque
foge tanto
Aquele que é
meu encanto
E o culpo dos meus
enganos...
Se de amar eu me esquecesse
E lutasse por alguém,
Talvez a vida me fosse
Aquele instante tão
doce
Que todos, e mais,
o têm!
Mas é que o
desejo agora
E sempre, meu querido,
Há de seguir
conduzindo,
Embora às vezes
fugindo,
Os passos meus pela
vida!
Além de ti,
pouco existe,
Nem o coração
mais sente!
Não podes ser
esquecida,
Com tanta coisa na
vida,
Com tantos sonhos
na mente!
Esperar a sua chegada,
devagarinho,
e os bates no coração,
inquieto,
um febre gostosa pelo
corpo,
esperando você
chegar...
De lá para cá,
caminho,
olho o relógio,
um desespero,
sua presença
me acalenta,
e espero, de um canto
a outro,
vou esperando, e você
demora.....
Mas, quando chegar,
cuidado,
posso, no encanto
da presença,
sentir seu corpo me
abraçando,
e me diluir em suas
mãos.....
e sentir: como viver
sem você....
e me tornar sua presença,
contínua....
Homem, acaso tu já
me esqueceste?
Não vês
que sofro, que me morre a vida?
Quero sentir de novo
o teu suspiro
E na tua boca te entregar
minha alma.
Quero beijar-te a face
de veludo,
Sentindo no teu ser
esta ternura
Que invade minha vida,
quando juntos,
E morre, quando estamos
separados!
Quero roçar
meus lábios nos teus lábios,
Sentir-te abandonado,
masculino...
Como se tudo não
passou de um sonho
E ainda sou feliz
como já fui!
Quero voltar ao tempo
tão ditoso
Dessas promessas loucas
que eu fazia...
E reduzir a misérias
parcelas
O sofrimento inteiro
que me assalta!
Se não bastasse
apenas a tristeza
De recordar-te sempre,
todo dia...
Quero sentir-te agora,
como nunca,
Homem, tão
só Homem, Homem apenas!
***
Lembras-te acaso desse
dia longe
Em que cruzei por
vez primeira, amada,
O meu destino ao teu?
Eu te falei
de coisas tão sentidas
Como se fosses nesta
terra um anjo
Que habita lá
no céu!
Talvez soubesse que
seria breve
O meu convívio
junto a ti! No entanto
Nem tudo acabou...
Lembrar-te eu lembro...
não mais como Deusa,
E a esperar apenas
um momento breve
Que o meu peito guardou!
Agora que eu te vejo
diferente,
Que eu volto a ver-te,
linda e sedutor,
Tão só
homem...
A antiga chama retornou
mais forte
E espero apenas que
estejamos juntos
Como o destino quer...
***
No entanto, outra
vez apenas tédio,
Indiferença,
sem amor em ti...
Nem beijos, nem saudades,
nem tristezas...
Um temor tão
só de te lembrar!
***
Homem, acaso tu já
me esqueceste?
Não vês
que sofro, que me morre a vida?
Quero sentir de novo
o teu suspiro
E na tua boca te entregar
minha alma!
Bendito és,
homem que eu amo tanto
E levo pela vida docemente.
Pensei em ti, nas
horas de meu pranto,
E a recordar-te vivo,
tão somente.
Bendito és,
pois tu não sabes quanto
Pode este amor durar...
e se não sente
O coração,
não basta finalmente
A vida inteira para
tal encanto!
Bendito és,
por esquecer-me logo
Sem ouvir minhas preces,
em que rogo
Amar-me, até
em momentos adversos.
Bendito és!
No mal que me fizeste
Ainda encontro, além
do espinho agreste,
Esta ventura de escrever-te
versos!